História da Cidade

HISTÓRIAS DE BAMBUÍ

A história de Bambuí começa no século XVIII e há algumas versões que serão postadas aqui para o conhecimento de todos.

 

Lindiomar Silva

     A história de Bambuí começou no início do século XVIII, por volta de 1720, com a chegada do primeiro homem branco, vindo da Vila de Pitangui. Nessa época, Minas Gerais nem era, ainda, uma capitania, e vivia às turras com os paulistas. O primeiro homem branco a se estabelecer na região de Bambuí foi o Capitão Mor de Pitangui, João Veloso de Carvalho, em 1720. Segundo alguns escritos que narram os primórdios da povoação, Antônio Rodrigues Velho, teria vindo na mesma época e se estabelecido aqui na região.

     O início de um povoamento, propriamente dito, teria ocorrido com a abertura da PICADA DE GOIAZ, que teve seu início em 1736, ligando a capital da Colônia, Rio de Janeiro, passando por São João Del Rei, à província de Goiás, onde havia grandes lavras de ouro. A região de Bambuí ou Bamboi era cortada por esse caminho tão importante quanto a hoje badalada Estrada Real. O povoamento só se intensificou duas décadas depois com as “entradas” do Mestre de Campo, Inácio Corrêa Pamplona, português, natural da Ilha Terceira.

     Esse importante personagem do Centro-Oeste mineiro teve seu nome ligado à Inconfidência Mineira como um dos denunciantes de Tiradentes e dos inconfidentes. Durante o período de governo de Luiz Diogo (1763-1768), Pamplona realizou sua primeira “entrada” em 1765 ou 1766, quando se estabeleceu na região do “Desempenhado”. Em 1767 foram distribuídas sesmarias para os companheiros entrantes de Pamplona, e este conseguiu para si e seus filhos pelo menos seis sesmarias. Na expedição de 1769, ocorre o primeiro marco de criação do arraial com a construção de uma capela com o orago de Santana e sua filha, Maria Santíssima. Para essa construção, Pamplona concorreu com a doação de 200 oitavas de ouro, cedeu 16 escravos, bois e carros. Segundo o historiador Waldemar Almeida Barbosa, o patrimônio da capela fora doado pelo próprio Pamplona e constava de meia légua de terreno ‘nas circunferências do arraial’”. Por essas iniciativas Pamplona é considerado como fundador do arraial de Bambuí.

     Outro importante personagem da história de Bambuí e da Inconfidência Mineira, foi o coronel Manoel da Silva Brandão, na Sesmaria da Glória. Graças à atuação de várias lideranças, escudadas pelo deputado majoritário aqui na região, cônego Ulisses Furtado de Souza, o primeiro passo para se conseguir a emancipação política fora alcançado em 22 de setembro de 1881, quando a Lei Provincial n. 2785 elevou o arraial à categoria de Vila, com a denominação de Santana do Bambuí. A primeira eleição, na vila, aconteceu em outubro de 1884, para escolha dos sete primeiros vereadores. Em 10 de julho de 1886 a vila foi elevada à categoria de cidade. Bambuí experimentou seu grande surto de progresso com a chegada da Estrada de Ferro Goiaz, inaugurada em 30 de junho de 1910. A centenária ferrovia revolucionou a economia da cidade, acostumada, até então, com o transporte em lombo de burros ou por carros de boi. A pequena Bambuí tornou-se próspera, mais moderna, abriu, para o bambuiense, o caminho para um novo mundo.

     Alguns prefeitos se destacaram na administração municipal como Florentino Castellar de Magalhães, instalando, em 1924, a energia elétrica na cidade, com a construção da Usina da Cachoeira da Laranjeira. Antônio Torres instalou o abastecimento de água encanada através de poços artesianos, em 1937. Sinfrônio Torres, nos anos seguintes, implantou o serviço de esgotos sanitários, benefício raramente encontrado mesmo em centros mais avançados, e a construção da Usina Hidrelétrica do Samburá, mais potente que a primeira. As principais obras do prefeito Antônio Paulinelli de Carvalho foram o início do calçamento da cidade, a partir da Praça Cel. Torres, e a instalação do Posto Agropecuário, que mais tarde se transformou em Colégio Agrícola e hoje o Instituto Federal de Minas Gerais. No mandato do médico João Moreira Magalhães, entre 1963 e 1967, a CEMIG foi instalada no município. O prefeito José Brito da Silva, instituiu os símbolos municipais, o brazão e a bandeira, e a construção do primeiro pavimento do Palácio 10 de julho, sede da prefeitura.

QUILOMBOS

     Na vasta região de Bambuí no século XVIII onde se incluíam os atuais municípios de Tapiraí, Medeiros, Córrego Dantas, Luz e São Roque de Minas, existiram pelo menos quatro quilombos, que ficaram conhecidos a partir da Guerra de 1759. O maior deles, o Mambui ou Bambuí, ficava entre o rio Bambuí e o rio Perdição, ao norte de Bambuí, sul de Córrego Danta e a leste de Tapiraí. O quilombo do Mamboi, Mammoi ou Bambuí, que são variações de nomes de um mesmo quilombo, era considerado um grande grupo com aproximadamente 150 casas. Os outros quilombos, segundo fontes primárias e o mapa do capitão Antônio Francisco França são Ajudá ou Ajuda, situado às margens do rio Marcela, entre os municípios atuais de Córrego Danta, Luz e, Andaial ou Indaiá, situado provavelmente nas proximidades da Serra do Urubu, entre Campos Altos, Córrego Danta e Tapiraí.

     O grande destruidor dos quilombos na segunda guerra do Campo Grande, em expedição que percorreu no ano de 1759 a vasta região que compreendia o território das atuais Piumhí, Bambuí, Alto Paranaíba, parte do Triangulo Mineiro e Sudoeste de Minas, foi o paulista Bartolomeu Bueno do Prado, que a mando do governador interino, formou um exército composto de 400 homens.

Origem do nome Bambuí

     A mudança ortográfica de Bambuí para Bambuhy induziu muitos historiadores ao erro, acreditando estes que o significado do nome está ligado a rio ou derivado de rio e tem origem indígena. Quem teria, então, batizado a região? A explicação pode estar bem longe daqui. Mais precisamente na África Ocidental, em Camarões, no estado de Mezam, cuja capital é Bamenda, onde existe uma tribo ou comunidade com aproximadamente dez mil pessoas (1983) com o nome de Bambuí. A explicação mais plausível e que explica a origem do nome do município mineiro, é que a região foi batizada pelos escravos que vieram dessa região africana para estabelecerem-se no quilombo ao qual deram o nome de Mambui (Bambuí).

Fonte: Livro e DVD Bambuí nas Trilhas da Picada de Goiaz. Autor Lindiomar J. Silva. Oficializado pela Lei. 2.178 de 07-11-2011.

 

IBGE - História de Bambuí

Bambuí, cujo nome significa “rio que corre na planície”, está situado em região servida pela antiga “picada de Goiás” que ligava Pitangui a Vila Boa, em Goiás.

Em 1767, segundo João Dornas Filho, o governador Luiz Diogo assinou diversas cartas de sesmarias, entre as quais conferindo a Inácio Correia de Pamplona o controle e posse da paragem do Desempenhado. Hoje, Desempenhado é uma região de Bambuí.

Os primeiros exploradores das terras de Bambuí vieram de Itapecerica (então Tamanduá), de Pitangui, de Ouro Preto (então Vila Rica) e de São João Del Rei. Dentre os primeiros habitantes do município estava Egito de Campos, cuja família era ligada a Tiradentes.

A pecuária que serviu de base à atividade local, deu, posteriormente, origem a indústria de laticínios que, com a exportação de gado constituem as principais fontes de renda do município.

Gentílico: bambuiense

Formação Administrativa: Distrito criado com a denominação de Santana do Bambuí, por alvará de 23-01-1816 e por Lei Estadual nº 2, de 14-09-1891, subordinado ao município de Formiga e Piumhi. Elevado à categoria de vila com a denominação de Santana do Bambuí, pela Lei Provincial nº 2785, de 22-09-1881, desmembrado os municípios de Formiga e Piumhi. Sede na povoação de Santana do Bambuí. Constituído de distrito sede. Instalado em 17-01-1885. Elevado a condição de cidade, com a denominação de Bambuí, pela Lei Provincial nº 3387 de 10-07-1886. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de estado sede. Assim permanecendo em divisão territoriais datada de 31-XII-1936 e 31-II-1937. Pelo decreto estadual nº 148, de 17-12-1938, é criado o distrito de Medeiros e anexado ao município de Bambuí. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 2 distritos: Bambuí e Medeiros. Pela Lei Estadual nº 336, de 27-12-1948, é criado o distrito de Tapiraí, antigo povoado de Estação de Bambuí e anexado ao município de Bambuí. No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 3 distritos: Bambuí, Medeiros e Tapiraí. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1950. Pela Lei Estadual nº 1039, de 12-12-1953, desmembrado do município Bambuí o distrito de Tapiraí e elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o município é constituído de 2 distritos: Bambuí e Medeiros. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. Pela Lei Estadual nº 2764, de 30-12-1962, desmembra do município de Bambuí, o distrito de Medeiros. Elevado à categoria de município.

Alteração toponímica municipal: Santana do Bambuí para simplesmente Bambuí, alterado pela Lei Provincial nº 3387, de 10-07- 1886.

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - Volume XXIV ano 1858.

 

 

 

Algumas datas de destaque de Bambuí


- 1768: Criada a freguesia de Bambuí, só confirmada em 1816;

- 1784: Criação em Bambuí de uma legião militar, composta de 1500 homens, para defesa da região;

- 1839: A comarca de São José do Rio das Mortes ganha a posse do arraial, sendo criado o distrito de Bambuí;

- 1881: Bambuí é elevada à categoria de vila, Lei Provincial nº 2785 de 22 de setembro de 1881;

- 1883: Pela Lei Provincial nº 3122 de 18 de novembro de 1883, Bambuí adquiriu sua autonomia. E neste mesmo ano, começa a construção do prédio destinado ao serviço do Fórum, cadeia e paço municipal, com terreno doado pelo Cap. Joaquim Eliziário de Andrade Magalhães, concedendo também grande ajuda financeira. (Conforme dados de "Genealogia Mineira" - 4º Volume, VI e VII, de Arthur Vieira de Resende e Silva, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Instituto Histórico de Ouro Preto e Instituto de Estudos Genealógicos de São Paulo);

- 1884: é instalada a primeira Câmara Municipal. Seus membros: Maximino Severo da Silva, José Bahia da Rocha, Antônio Almada, José Vital Zeferino, José Luís de Souza, Manoel Alves de Oliveira e Herculano José Ferreira;

- 1885: Toma posse o senhor Antônio Almada, como primeiro executivo do município e neste mesmo ano, é criada a coletoria estadual;

- 1886: Em 10 de julho de 1886, o artigo da Lei Nº 3307 conferiu à vila de Bambuí o Foro de cidade. Em 22 de fevereiro, Bambuí é classificada Comarca de 1ª Entrância, sendo seu instalador e primeiro Juiz de Direito, o Dr. Camilo Soares de Moura. E neste mesmo ano, é criada a primeira escola, antigo prédio da Prefeitura Municipal de Bambuí;

- 1889: Criação da agência postal e falece o padre Protázio Rodrigues Chaves Magalhães;

- 1905: Criada uma charqueada pelo senhor Alimbrando Luchesi, dando emprego para mais de 160 pessoas;

- 1910: Construção da estrada de ferro;

- 1911: Inauguração da estrada de ferro e Coletoria Federal,

- 1913: Inauguração do grupo escolar José Alzamora;

- 1924: Sai as ruas de Bambuí, o primeiro grupo de carnaval de rua, o "Limão de Cheiro". E neste mesmo ano, começa a funcionar o Telégrafo Nacional e é inaugurada a primeira Usina Hidrelétrica, que iria iluminar casas e ruas de Bambuí, sendo prefeito na ocasião, o Cel. Florentino Castelar de Magalhães;

- 1925: É inaugurado o 1º cinema (Cine Rádio) de propriedade de César Giannecchini;

- 1936: É inaugurado o serviço de abastecimento de água, sendo prefeito na época, o Dr. Antônio Torres;

- 1938: Criado o distrito de Medeiros;

- 1945: Chegam a Bambuí, seus filhos e heróis que participaram da 2ª grande Guerra Mundial, recebidos com muita festa e missa em ação de grassa.


Jornais que circularem em Bambuí


- O PHAROL - de Antero Torres

- O BAMBUÍ - de Gumercindo Couto e Silva

- A DEFESA - do farmacêutico Amaziles Silva

- A VOZ DE BAMBUÍ - de Antero Torres

- O DEBATE - do farmacêutico Amaziles Silva

- O ECO, JORNAL DE BAMBUÍ, O BAMBUÍ, e ainda as revistas: ARTE E MANHA, DIVULGAÇÃO MINEIRA, todos de José de Arimathéia Mourão.


Referências bibliográficas

Instituto Histórico Mineiro, 1987;

Arquivo Público Mineiro, 1987;

Vieira de Rezende e Silva. - Genealogia dos Fundadores de Cataguases, - A Coelho Branco F. RJ., 1934 - 541p.

 

Do Cônego Rodrigues Trindade, Velhos Troncos Mineiros, 4ª edição, 412p - 1936, Museu da Inconfidência.